O documentário Língua, de Victor Lopes, é um retrato da vida cotidiana de alguns dos milhões de falantes da língua portuguesa. José Saramago pondera que não há uma língua portuguesa, mas línguas em português, e nada mais justo: assistindo ao documentário percebemos a pluralidade de culturas e de costumes dos povos, inviabilizando a inocente idéia de uniformidade lingüística.
A filmagem aconteceu em seis países que têm falantes do português: Brasil, Moçambique, Índia, Portugal, França e Japão. Considerando essa imensidade territorial, as variedades culturais e socioeconômicas dos falantes, compreende-se facilmente que dentro do mesmo idioma, o português, não tem como existir um único modo de fala. São situações e necessidades diferentes, graus de escolaridade e costumes próprios de cada grupo; essa diversidade torna inviável a presença de uma unidade na língua.
O latim deu origem ao português de Portugal, que distanciou-se e formou outra língua distinta. Esse português, na vida dos brasileiros (povo de grande pluralidade cultural), foi transformado em outra língua: no nosso português (repleto de variações em cada região do Brasil). Nenhuma dessas línguas é mais ou menos correta, são simples e inevitáveis variações, que atendem às necessidades de cada comunidade. Essas línguas estão em contínuo processo de “evolução”, de transformação; se modificam com a sociedade, de acordo com as novas necessidades de expressão. Essas mudanças são sinais de que a língua está viva (e ela só é viva enquanto for falada, enquanto for útil pra nossa comunicação).
Enquanto as cenas mostram o “falar português do povo”, numa riqueza de depoimentos e cenas do cotidiano, algumas personalidades da música e da literatura fazem algumas reflexões. Todo o trabalho configura um mostruário de quanto são distintos os modos de falar dos milhões de habitantes que se expressam em português, cada um na sua realidade (o documentário configura a realidade do vendedor de balas, do jovem “rapper” que sonha em morar nos EUA, do homem que trabalha desarmando bombas. São diferentes tipos sociais que demonstram o mosaico cultural que compõem os falantes da nossa língua).
É um documentário de grande importância social, pois busca quebrar o antigo conceito de que há um modo correto e único de falar o português. As imagens não deixam dúvida: a diversidade cultural e lingüística existe, é viva e dinâmica.
Acesso um trecho do documentário Língua, vidas em português
quinta-feira, 12 de junho de 2008
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2 comentários:
a diversidade do Brasíl é notável. não tem como pensar que não vai ter diversidade na língua. faz parte da nossa riqueza.
muito legal a comparação que se pode fazer do português de Portugal com o do Brasil no decorrer do filme. gostei também da diversidade de 'portugueses' existentes no Brasil, também é um país muito rico em cultura e diversificação
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