terça-feira, 24 de junho de 2008

Entrevista

Resolvemos fazer algumas perguntas pra professora Lia, de português pra ver esses assutos sob a ótica de alguém que tem contato com outras línguas (trabalha com pessoas de outros idiomas), mas também estuda a gramática e o texto escrito. As respostas foram muito legais!

1. Formação: Ensino superior completo. Pós-graduação (mestrado) completo.

2. Idade: 33

3. Atualmente da aula para graduação (UFGRS), cursos de comunicação social, Biblioteconomia e Administração. Também leciono Português para Estrangeiros na UFRGS.

Considera o português uma língua difícil?

Não. O grau de dificuldade que se possa esperar é o mesmo de qualquer língua.

Você acha que há uma maneira correta de falar?

Não. Pode haver uma maneira mais adequada de falar de acordo com a situação social em que as pessoas estão envolvidas em um dado momento.

Quais as maiores dificuldades de ensinar o português aos estrangeiros?

Na minha opinião, a maior dificuldade é dialogar quando as culturas são muito diferentes. Isso acontece quando, por exemplo, a maneira de pensar influencia no trabalho de sala de aula. Alguns alunos trazem experiências muito diferentes de seus países do que acreditam que é uma sala de aula de língua e de como os participantes (alunos e professores) devem agir nesse ambiente. Isso torna muitas vezes o trabalho bem complicado.

Que motivo atribui a essa dificuldade?

Diferenças culturais no que se pensa sobre ensino de língua e o que é importante quando se aprende uma língua (e até mesmo o porquê se aprende).

Acredita que a leitura é determinante para escrever bem? Por quê?

Depende do que se lê. Mas minha resposta geral é sim, pois a leitura ajuda a desenvolver as habilidades lingüísticas de compreensão, interpretação, além de lidar com a imaginação e criatividade.

Acredita que só a leitura basta para escrever bem?

Não. É preciso também trabalhar muito, esforço para organizar as idéias, revisar e ter inspiração.

Qual a língua que você sentiu mais dificuldade para aprender?

Alemão.

Que motivo atribui a essa dificuldade?

Sistema pronominal muito diferente do Português. Mas fui aprender quando adulta e acho que isso faz diferença. Se meu pai tivesse se esforçado mais quando éramos crianças, certamente seria outro aprendizado.

O que pensa sobre a reforma ortográfica?

Acho produtiva em alguns pontos, especialmente os que cortam certas “gramatiquices” que só complicam mais ainda a língua escrita, como o hífen.

Como professora, qual a mensagem que deixaria aos alunos que acham o português muito difícil?

Que eles devem tentar refletir por que pensam assim e, especialmente, se perguntar que Português é esse que é difícil, que língua é essa...

Um comentário:

ParadoxoEmExpansão disse...

Muito legal essa entrevista!
Uma professora que parece dominar bem o assunto e sabe da realidade daquilo que ensina.
É interessante ver como as culturas influenciam mesmo na hora de falar.