Resolvemos fazer algumas perguntas pra professora Lia, de português pra ver esses assutos sob a ótica de alguém que tem contato com outras línguas (trabalha com pessoas de outros idiomas), mas também estuda a gramática e o texto escrito. As respostas foram muito legais!
1. Formação: Ensino superior completo. Pós-graduação (mestrado) completo.
2. Idade: 33
3. Atualmente da aula para graduação (UFGRS), cursos de comunicação social, Biblioteconomia e Administração. Também leciono Português para Estrangeiros na UFRGS.
Considera o português uma língua difícil?
Não. O grau de dificuldade que se possa esperar é o mesmo de qualquer língua.
Você acha que há uma maneira correta de falar?
Não. Pode haver uma maneira mais adequada de falar de acordo com a situação social em que as pessoas estão envolvidas em um dado momento.
Quais as maiores dificuldades de ensinar o português aos estrangeiros?
Na minha opinião, a maior dificuldade é dialogar quando as culturas são muito diferentes. Isso acontece quando, por exemplo, a maneira de pensar influencia no trabalho de sala de aula. Alguns alunos trazem experiências muito diferentes de seus países do que acreditam que é uma sala de aula de língua e de como os participantes (alunos e professores) devem agir nesse ambiente. Isso torna muitas vezes o trabalho bem complicado.
Que motivo atribui a essa dificuldade?
Diferenças culturais no que se pensa sobre ensino de língua e o que é importante quando se aprende uma língua (e até mesmo o porquê se aprende).
Acredita que a leitura é determinante para escrever bem? Por quê?
Depende do que se lê. Mas minha resposta geral é sim, pois a leitura ajuda a desenvolver as habilidades lingüísticas de compreensão, interpretação, além de lidar com a imaginação e criatividade.
Acredita que só a leitura basta para escrever bem?
Não. É preciso também trabalhar muito, esforço para organizar as idéias, revisar e ter inspiração.
Qual a língua que você sentiu mais dificuldade para aprender?
Alemão.
Que motivo atribui a essa dificuldade?
Sistema pronominal muito diferente do Português. Mas fui aprender quando adulta e acho que isso faz diferença. Se meu pai tivesse se esforçado mais quando éramos crianças, certamente seria outro aprendizado.
O que pensa sobre a reforma ortográfica?
Acho produtiva em alguns pontos, especialmente os que cortam certas “gramatiquices” que só complicam mais ainda a língua escrita, como o hífen.
Como professora, qual a mensagem que deixaria aos alunos que acham o português muito difícil?
Que eles devem tentar refletir por que pensam assim e, especialmente, se perguntar que Português é esse que é difícil, que língua é essa...
Um comentário:
Muito legal essa entrevista!
Uma professora que parece dominar bem o assunto e sabe da realidade daquilo que ensina.
É interessante ver como as culturas influenciam mesmo na hora de falar.
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