quinta-feira, 26 de junho de 2008

Regionalismos da Língua e a influência da Mídia

No Brasil se observa grandes variações regionais da língua, não que fosse possível esperar algo diferente de um país com aproximadamente 8.500.000 quilômetros quadrados (apenas 20% menor do que todo o território europeu), mas a influência de outras línguas como tupi-guarani, iorubá, banto, castelhano, holandês, francês, árabe, alemão, italiano, inglês e ainda algumas outras é inegável. Chega a ser quase impossível traçar um quadro completo da variação dialetal resultante do contato do português com outras línguas, mesmo que apenas dentro do país.

Ainda com a expansão da mídia, da qual se esperava grande influência em pró da redução da variação lunguística do país, ainda persiste um contraste gigantesco entre regiões e grupos culturais. Tudo que se acaba por produzir é um sotaque fajuto que representa o falar de determinada porção territorial nacional. Nem mesmo profissionais de emissoras de televisão, que trabalham a voz e a fala conseguem esconder alguns traços de seu sotaque original para assumir (Rede Globo) o sotaque carioca, considerado o mais aceito no país.

"Muito se falava que a televisão iria mudar a fala das pessoas. Depois de 50 anos não aconteceu quase nada disso e o brasil continua tendo enorme diversidade dialetal." - Luiz Carlos Cagliari (departamento de linguística da Unesp).

Isso sem falar em variações em função do quadro social do país. Em seu livro, Dinah Callo e Yonne Leite, destacam que talvez as diverenças dialetais no Brasil sejam mais socioculturais do que geopolíticas. "Merece consideração se há mais diferenças na maneira de falar de um homem culto e de um analfabeto em um mesmo lugar, do que entre dois brasileiros do mesmo nível cultural, originários de regiões distantes uma da outra". Muita pesquisa ainda precisa ser feita antes que possamos dizer algo de definitivo sobre as diferentes formas de falar no Brasil.

Saussure e a prioridade do estudo sincrônico

E como falar de Lingüística sem falar em Saussure? Ele foi um lingüista suíço cujas elaborações teóricas propiciaram o desenvolvimento da lingüística enquanto ciência e desencadearam o surgimento do estruturalismo. Uma das mais importantes colaborações por ele feita foi a distinção estabelecida entre o estudo diacrônico e o estudo sincrônico da língua. O estudo diacrônico da língua é a descrição da sua evolução histórica. Já o estudo sincrônico é a descrição de um determinado “estado” dessa língua “num determinado momento no tempo”. A Lingüística Comparativa se interessava pela diacronia, mas, atualmente, a teoria lingüística considera os levantamentos históricos irrevelantes no estudo de “estados” da língua, já que os estados de uma língua podem e devem ser descritos em seus próprios termos, sem referência a evolução, anterior ou futura. A transformação na língua não é nunca “uma função do tempo” e ocorre por vários motivos diferentes, tantos internos quantos externos, que podem determinar a sua transformação de um “estado” sincrônico para outro. O que mais caracteriza a Lingüística Moderna é o “estruturalismo”, o qual considera cada língua como um sistema de relações, e essa teoria foi elaborada para explicar como o povo usa realmente a língua, por isso deriva da evidência empírica. Assim, Saussure faz a distinção entre sincronia e diacronia como uma consequência da sua convicção de que toda a língua, num certo tempo, constitui um sistema integrado de relações.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

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terça-feira, 24 de junho de 2008

A TEORIA SAUSSUREANA DA LINGUAGEM

Para quem olha a imagem ao lado, logo lembra daquelas inúmeras imagens em preto e branco estampadas nos livros escolares ou nas apostilas do pré-vestibular de autores da literatura brasileira ou dos físicos e as suas complexas teorias. Bom, isso não parece tão absurdo. A figura acima é de Ferdinand Saussure e, assim como eu, você deve ter se perguntado: “Sau...o que??”.


O filólogo Saussure (pronuncia-se mais ou menos “sóissir”) se tornou um importante estudioso no campo da lingüística ao desenvolver a Teoria Saussureana da Linguagem. Assim como os autores da literatura, utilizou a língua como instrumento de trabalho e então, a usou como objeto principal de estudo. E assim como os físicos, suas teorias também são complexas.

Saussure foi o primeiro estudioso a analisar a natureza da lingüística e tentar estabelecer seus fundamentos. Basicamente, a lingüística estuda a linguagem, seja ela falada ou escrita. Analisa o modo como as pessoas falam ou escrevem sua língua e não preceitua uma regra da maneira como elas deveriam fazer isso.

A lingüística não é normativa, estuda justamente as transformações sofridas pela língua por uma determinada necessidade de mudança, sem considerar essas transformações melhores ou piores, ou seja, não determina o modo certo ou o modo errado de escrever ou de falar, e sim analisa as adaptações sofridas pela linguagem de acordo com determinados valores e situações.

A Teoria Saussureana parte das definições de signo, significante e significado. Saussure diz que a linguagem é um sistema de signos, um sistema de convenções. Porém, o signo lingüístico é arbitrário, é a união de uma forma significante e uma forma significada. Não há relação lógica entre uma determinada palavra e o que ela representa.

Bom... Acho que isso não ajudou muito...

É preciso tentar definir de uma maneira simples esses três conceitos:

· Significante: para Saussure é a imagem acústica. Isto é, a representação, o símbolo que designa um conceito. Vou usar novamente o exemplo: cachorro, dog, perro e cane são significantes diferentes (de sistemas lingüísticos diferentes) para se referir ao mesmo animal (ao mesmo significado).

· Significado: para Saussure é o conceito, a parte inteligível do signo. Ou seja, o que a palavra representa.

· Signo: união de uma forma que significa significante e de uma idéia que significa significado.

Na verdade, ele quer dizer que não há nenhuma ligação natural entre significante e significado. O que conhecemos como cachorro, por exemplo, não se pode explicar o porquê de justamente a seqüência de letras C-A-C-H-O-R-R-O terem sido atribuídas ao determinado animal. Não há explicação natural para isso, foi algo convencionado. Decidiu-se usar essa seqüência de letras para descrever única e exclusivamente esse animal, assim como poderia ter sido usada outra seqüência, desde que se refira àquele animal e não a outra coisa qualquer.

Mas não pára por aí... Como toda teoria complicada... Existem exceções!

Segundo Saussure, há signos parcialmente motivados...

As onomatopéias são o caso em que o significante imita algum som. Por exemplo: au-au, quack-quack, tic-tac.

Saussure também chama de “motivação secundária” palavras como guarda-roupas, sofá-cama, lustra-móveis, que através do significante supõem a sua função.

Além disso, nosso querido Saussure diz que a língua não é uma simples nomenclatura para cada conjunto de conceitos universais, se fosse assim seria fácil traduzir uma língua para outra. Deveríamos apenas substituir o nome francês por um conceito com o nome inglês. Como ele mesmo exemplifica: o francês “aimer” não se traduz diretamente em inglês; deve-se escolher “to like” (gostar de) e “to love” (amar). Com isso, ele quis dizer que os significados não são conceitos que já existem, mas conceitos que podem mudar de uma língua para outra.


Minha tentativa foi de tentar fazer entender a base da Teoria Saussureana. Para quem pensou que o mais difícil fosse pronunciar o sobrenome “Saussure”... Se enganou! Para tentar entender essa teoria é preciso muita atenção e algum tempo disponível de estudo...

GÍRIAS

As línguas, em geral, oferecem muitos problemas para quem não é seu falante nativo. O português não é diferente. Muitos dizem que o português é difícil, mas é tão difícil como qualquer outra língua, em termos gerais.

Um dos maiores desafios enfrentados por estrangeiros para falar o português ou qualquer outro idioma, são as gírias e expressões idiomáticas. Há uma diferença enorme entre a língua falada e a língua escrita. Muitas vezes, as palavras usadas nas gírias não têm relação alguma com o seu significado e isso acaba atrapalhando quem está tentando aprender uma nova língua. Quando escrevemos, por exemplo, temos certo cuidado para não usar expressões mais coloquiais como as gírias, preocupação que normalmente não aparece quando estamos falando.

No Brasil, muitas vezes, sequer entendemos o que uma pessoa de outra região quis dizer. A variedade lingüística é muito grande, a tal ponto de poder parecer outra língua. Cada região possui suas peculiaridades na hora de falar. Isso não é bom nem ruim. È interessante que cada região tenha suas expressões características, até porque o Brasil tem dimensões continentais. Mas, ao mesmo tempo, isso pode dificultar a comunicação entre duas pessoas com uma mesma nacionalidade, o que é, no mínimo, curioso.

As gírias por locais também podem ser encaradas como elementos culturais de um povo. O Rio Grande do Sul, em especial, possui uma série de expressões que se diferem em demasia das variedades faladas em outros lugares do país. Suas origens podem ter relação com outros idiomas, principalmente o espanhol. Aí vão alguns exemplos como demonstração:

Bagual - Potro recentemente domado, arisco, bisonho.

Bochinche - Desordem, briga; baile de ínfima classe.

Despacito - Devagar, pouco a pouco.
Entrevero - Desordem, confusão de pessoas, mistura

Guaipeca, cusco - cão vira-lata; cão pequeno.

Passar um pito - Repreender, descompor

Pechada - Choque, encontrão dado no peito

Peleia - Contenda, briga, disputa

Querência - Pago, lugar onde se nasceu, o rincão, o lar, a pátria

Entrevista

Resolvemos fazer algumas perguntas pra professora Lia, de português pra ver esses assutos sob a ótica de alguém que tem contato com outras línguas (trabalha com pessoas de outros idiomas), mas também estuda a gramática e o texto escrito. As respostas foram muito legais!

1. Formação: Ensino superior completo. Pós-graduação (mestrado) completo.

2. Idade: 33

3. Atualmente da aula para graduação (UFGRS), cursos de comunicação social, Biblioteconomia e Administração. Também leciono Português para Estrangeiros na UFRGS.

Considera o português uma língua difícil?

Não. O grau de dificuldade que se possa esperar é o mesmo de qualquer língua.

Você acha que há uma maneira correta de falar?

Não. Pode haver uma maneira mais adequada de falar de acordo com a situação social em que as pessoas estão envolvidas em um dado momento.

Quais as maiores dificuldades de ensinar o português aos estrangeiros?

Na minha opinião, a maior dificuldade é dialogar quando as culturas são muito diferentes. Isso acontece quando, por exemplo, a maneira de pensar influencia no trabalho de sala de aula. Alguns alunos trazem experiências muito diferentes de seus países do que acreditam que é uma sala de aula de língua e de como os participantes (alunos e professores) devem agir nesse ambiente. Isso torna muitas vezes o trabalho bem complicado.

Que motivo atribui a essa dificuldade?

Diferenças culturais no que se pensa sobre ensino de língua e o que é importante quando se aprende uma língua (e até mesmo o porquê se aprende).

Acredita que a leitura é determinante para escrever bem? Por quê?

Depende do que se lê. Mas minha resposta geral é sim, pois a leitura ajuda a desenvolver as habilidades lingüísticas de compreensão, interpretação, além de lidar com a imaginação e criatividade.

Acredita que só a leitura basta para escrever bem?

Não. É preciso também trabalhar muito, esforço para organizar as idéias, revisar e ter inspiração.

Qual a língua que você sentiu mais dificuldade para aprender?

Alemão.

Que motivo atribui a essa dificuldade?

Sistema pronominal muito diferente do Português. Mas fui aprender quando adulta e acho que isso faz diferença. Se meu pai tivesse se esforçado mais quando éramos crianças, certamente seria outro aprendizado.

O que pensa sobre a reforma ortográfica?

Acho produtiva em alguns pontos, especialmente os que cortam certas “gramatiquices” que só complicam mais ainda a língua escrita, como o hífen.

Como professora, qual a mensagem que deixaria aos alunos que acham o português muito difícil?

Que eles devem tentar refletir por que pensam assim e, especialmente, se perguntar que Português é esse que é difícil, que língua é essa...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Conversa com os chineses!

Nessa semana, a professora de português convidou alguns dos seus alunos estrangeiros para participar da atividade com a gente. Foram cinco estudantes chineses, que com muita paciência, responderam a todas as nossas perguntas curiosas.

Quando perguntamos sobre o que estavam sentindo mais dificuldade acerca do português, as respostas foram as mesmas: nas gírias. Um deles ainda explicou, entre alguns "tipo", que às vezes são conceitos simples, mas que combinados torna-se muito difícil de compreender. Ainda ressaltou que cada grupo usa as suas expressões pessoais, e por mais que conheça algumas, continua sendo uma questão difícil.

Entre outras dificuldades, colocaram a pronúncia dos sons de "b / v" e "t / d /", que para eles não tem muita diferença.