
Para quem olha a imagem ao lado, logo lembra daquelas inúmeras imagens em preto e branco estampadas nos livros escolares ou nas apostilas do pré-vestibular de autores da literatura brasileira ou dos físicos e as suas complexas teorias. Bom, isso não parece tão absurdo. A figura acima é de Ferdinand Saussure e, assim como eu, você deve ter se perguntado: “Sau...o que??”.
O filólogo Saussure (pronuncia-se mais ou menos “sóissir”) se tornou um importante estudioso no campo da lingüística ao desenvolver a Teoria Saussureana da Linguagem. Assim como os autores da literatura, utilizou a língua como instrumento de trabalho e então, a usou como objeto principal de estudo. E assim como os físicos, suas teorias também são complexas.
Saussure foi o primeiro estudioso a analisar a natureza da lingüística e tentar estabelecer seus fundamentos. Basicamente, a lingüística estuda a linguagem, seja ela falada ou escrita. Analisa o modo como as pessoas falam ou escrevem sua língua e não preceitua uma regra da maneira como elas deveriam fazer isso.
A lingüística não é normativa, estuda justamente as transformações sofridas pela língua por uma determinada necessidade de mudança, sem considerar essas transformações melhores ou piores, ou seja, não determina o modo certo ou o modo errado de escrever ou de falar, e sim analisa as adaptações sofridas pela linguagem de acordo com determinados valores e situações.
A Teoria Saussureana parte das definições de signo, significante e significado. Saussure diz que a linguagem é um sistema de signos, um sistema de convenções. Porém, o signo lingüístico é arbitrário, é a união de uma forma significante e uma forma significada. Não há relação lógica entre uma determinada palavra e o que ela representa.
Bom... Acho que isso não ajudou muito...
É preciso tentar definir de uma maneira simples esses três conceitos:
· Significante: para Saussure é a imagem acústica. Isto é, a representação, o símbolo que designa um conceito. Vou usar novamente o exemplo: cachorro, dog, perro e cane são significantes diferentes (de sistemas lingüísticos diferentes) para se referir ao mesmo animal (ao mesmo significado).
· Significado: para Saussure é o conceito, a parte inteligível do signo. Ou seja, o que a palavra representa.
· Signo: união de uma forma que significa significante e de uma idéia que significa significado.
Na verdade, ele quer dizer que não há nenhuma ligação natural entre significante e significado. O que conhecemos como cachorro, por exemplo, não se pode explicar o porquê de justamente a seqüência de letras C-A-C-H-O-R-R-O terem sido atribuídas ao determinado animal. Não há explicação natural para isso, foi algo convencionado. Decidiu-se usar essa seqüência de letras para descrever única e exclusivamente esse animal, assim como poderia ter sido usada outra seqüência, desde que se refira àquele animal e não a outra coisa qualquer.
Mas não pára por aí... Como toda teoria complicada... Existem exceções!
Segundo Saussure, há signos parcialmente motivados...
As onomatopéias são o caso em que o significante imita algum som. Por exemplo: au-au, quack-quack, tic-tac.
Saussure também chama de “motivação secundária” palavras como guarda-roupas, sofá-cama, lustra-móveis, que através do significante supõem a sua função.
Além disso, nosso querido Saussure diz que a língua não é uma simples nomenclatura para cada conjunto de conceitos universais, se fosse assim seria fácil traduzir uma língua para outra. Deveríamos apenas substituir o nome francês por um conceito com o nome inglês. Como ele mesmo exemplifica: o francês “aimer” não se traduz diretamente em inglês; deve-se escolher “to like” (gostar de) e “to love” (amar). Com isso, ele quis dizer que os significados não são conceitos que já existem, mas conceitos que podem mudar de uma língua para outra.
Minha tentativa foi de tentar fazer entender a base da Teoria Saussureana. Para quem pensou que o mais difícil fosse pronunciar o sobrenome “Saussure”... Se enganou! Para tentar entender essa teoria é preciso muita atenção e algum tempo disponível de estudo...